LIBERDADE DE OPINIÃO

O objetivo desse blog não é criticar negativamente as crenças e conceitos de outrem. É um exercício de reflexão com o mais puro sentimento de liberdade e de amor ao próximo. São textos de um mero estudante descobrindo o universo que vivenciamos.



sábado, 5 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA PARA A VIDA COTIDIANA


A indagação mais corriqueira a alguém que se diga estudante de filosofia ou mesmo Filósofo é uma pergunta que já traz em si um caráter filosófico: para que serve a filosofia? Este enfoque é chamado em Filosofia de enfoque Utilitarista. O Utilitarismo é “uma doutrina ética que prescreve a ação (ou inação) de forma a otimizar o bem-estar do conjunto dos seres sencientes[1]. O utilitarismo é então uma forma de consequencialismo, ou seja, ele avalia uma ação (ou regra) unicamente em função de suas consequências.Filosoficamente, pode-se resumir a doutrina utilitarista pela frase: "Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar (Princípio do bem-estar máximo)”.

Seus organizadores foram “Jeremy Bentham (1748-1832) e John Stuart Mill (1806-1873) que sistematizaram o princípio da utilidade e conseguiram aplicá-lo a questões concretas – sistema político, legislação, justiça, política econômica, liberdade sexual, emancipação feminina”.

Muito importante na história do Direito, o Utilitarismo tem uma qualidade que é ao mesmo tempo seu maior defeito: o racionalismo. Ele implica que cada gesto seja devidamente calculado e é exatamente aí que ele falha, já que, já que é uma linha de pensamento consequencialista, que considera fundamentais todas, e eu repito, todas as consequências de um ato , falha na medida que é impossível ter certeza de todas as interações possíveis de determinado gesto, ou seja, queiramos ou não, sempre teremos que pagar um tributo à incerteza e a imprevisibilidade.

                                                                Jeremy Bentham

Talvez por isso muitos o critiquem, só que como todas as linhas de pensamento geradas a partir do exercício da filosofia por seus diversos autores, o utilitarismo deixou sua cicatriz na vida da sociedade e assim perguntas como “ para que serve a filosofia” são feitas , na concepção ingênua de que seja espontânea e que não tenha já em si, um viés filosófico.

                                                             John Stuart Mill

Este é o primeiro aspecto da interveção do pensamento filosófico na vida social: por decantação, milênio após milênio, em tempos menos cultos e depois com o avanço da velocidade da informação e do conhecimento, século após século, depois década após década, filósofos elucidam interpretações originais da realidade, primeiro discutindo-as com seus pares e, lentamente, deixam que elas se derramem sobre as mentes de todos os seres humanos em todas as partes do planeta.

Todos nós julgamos, e achamos que julgamos, qyue estabelecemos juízos sobre as coisas que nos acontecem de forma espontânea, dada, como dizemos em filosofia. Só que não é assim. Um pensador treinado nas muitas escolas de pensamento saberá reconhecer no discurso ou nos atos de alguém ou de alguma instituição os traços de uma determinada linha de pensamento, uma perspectiva que provavelmente nada terá de original e sobre a qual, no exercício filosófico, já foi dissecada em seus mínimos e limitados detalhes.

É o caso do Utilitarismo. Toda forma de pensar, que em filosofia chamamos genericamente de Escola de Pensamento, após ser constituída e divulgada, sofre um processo de análise intelectual chamado em Filosofia de Crítica Filosófica. A palavra crisis em grego quer dizer separação. Criticar, embora entre os leigos no assunto signifique “falar mal de alguém ou de alguma coisa”, em filosofia significa separar em partes para estudar melhor, dividir para entender. Ao criticar uma escola filosófica, os pensadores extraem-lhe seus acertos e seus erros, seus avanços e suas limitações, porque na verdade, toda escola de pensamento está submetida a Dualidade da existência e do pensamento, tendo sempre uma face interessante e outra não tanto. Ao criticar o Utilitarismo reconhece-se a beleza de uma norma como “Agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar (Princípio do bem-estar máximo)”, associando-a as coisas úteis, racionalmente importantes e de consequências bastante previsíveis, pelo menos em parte; mas surge imediatamente a questão: existirão coisas inúteis que possam causar também grande bem estar, que em princípio não sirvam para absolutamente nada e que, mesmo assim, causem grande bem estar a um grande grupo de pessoas? Sim. E a mais importante delas é a Arte.

Quando um artista pinta um quadro ou um escultor faz uma estátua, em nenhum momento visam o bem da sociedade, em princípio. Claro que gostarão imensamente de ter sua genialidade artística reconhecida mas é consenso que o trabalho artístico profundo é solitário. Antenas da sociedade, artistas captam, antes de todos, como os místicos, imagens e idéias que estão, digamos assim, pairando sobre todas as cabeças sem receber uma forma adequada, uma expressão compreensível. Por que é isto que o artista faz: ele expressa o que antes não tinha sido expresso daquele modo, e partilha com muitos uma percepção a qual, sem aquela expressão artística, na ausência de uma sensibilidade especial que é dada a poucos, não seria percebida ou sequer suposta.

Mais do que qualquer atividade humana, é na Arte que o Utilitarismo demonstra sua maior fragilidade.

Em Arte o princípio da incerteza, da imprevisibilidade e da incapacidade de prever as consequências atingem o clímax. O efeito de uma peça de arte, de qualquer natureza, é imprevisível na linha de tempo. Muitos textos só foram reconhecidos dezenas de anos após a morte dos autores, alguns até séculos depois de seu desaparecimento.

A Beleza não só é aparentemente inútil como também imprevisível, já que se trata de uma percepção estética altamente subjetiva, determinada pelas pessoas que a contemplam e que com ela se relacionam. Só que não é assim. Existe sim uma utilidade na beleza, que é gerar bem estar. Exatamente aquilo que o Utilitarismo busca. Só que é um bem estar não racional, não previsível quanto as suas consequências, sem amarras consequenciais, como uma rede, cujo abalo em qualquer de seus pontos gera vibrações em toda a sua extensão, em todas as direções.




Utilitarismo, como proposto, é uma linha reta encadeada. Arte é multidirecional. Um ponto focal e uma irradiação em todas as direções como uma explosão.

Na verdade a vida comum, cotidiana, encampa estas duas manifestações do real, linhas que se conectam a outras linhas, montando a estrutura de nossa rede imaginária de conexões, esta sim a expressão mais correta da sociedade humana.

E é aí que a pergunta se responde: para que serve a filosofia nos dias de hoje? Ela está em busca da Verdade, como no passado, ou tenta responder as três perguntas mais famosas da Mídia, “De onde viemos, quem somos e Aonde Vamos”?

Nem uma coisa nem outra.

O papel de busca da verdade foi transferido à Ciência, que é quem, hoje em dia, apoiada por uma outra linha de pensamento filosófica, o Positivismo, empreende a busca por uma Epistéme, ou Conhecimento de Certeza, ou para usar um termo Positivista, um conhecimento verificado e comprovado.

Já a busca pelas três consideradas mais importantes questões acima elencadas está também no âmbito de disciplinas científicas: De onde viemos, é o tema da Arqueologia, Antropologia e Cosmologia; quem somos, está a cargo da Psicologia, Biologia e Bioquímica; e finalmente para onde vamos faz parte das questões da Física Pura, da Astrofísica, e da Exobiologia, a área dedicada ao estudo de vida extraterrestre. Sim porque existe vida fora de nosso planeta, não os homenzinhos verdes das ficções mas bactérias, fungos e vírus que podem ter chegado até aqui de carona em algum meteoro.

O que sobrou para a Filosofia? Muita coisa.

Talvez a mais importante seja a capacidade de Criticar ( Analisar) qualquer coisa que o homem faça. E do ponto de vista da Ciência aplicada e da Indústria, visão que aliás é altamente utilitarista, a Filosofia pode ajudar e muito. Porque é a partir da Crítica Filosófica das possibilidades de uma determinado tipo de produto que é possível ao fabricante vislumbrar outras aplicações antes insuspeitas.

É a partir da aplicação da habilidade de instabilização de certezas naquilo que a ciência considera como verdades inabaláveis e comprovadas que os filósofos ajudam cientistas a repensar seu trabalho e redirecioná-lo em sentidos antes não imaginados.

E como isto se reflete na Vida Humana Cotidiana?

Vou dar um exemplo prático. Aplicando o Utilitarismo, as Indústrias criaram sistemas operacionais de produção em série que privilegiaram a reprodutibilidade de um determinado produto a tal ponto que pela enorme quantidade deste produto seu preço se tornasse mais barato e compensador. Esta foi a base do Fordismo, uma visão empresarial criada por Henry Ford , nos Estados Unidos e que por muitas décadas dominou a Indústria Americana e mundial, primeiro quanto a automóveis e depois para praticamente tudo que existe. Com o tempo no entanto verificou-se , após análises dos resultados deste procedimento em larga escala, que ele produzia um efeito colateral antes não percebido: a formação de uma quantidade de produtos excedentes, não absorvidos pelo mercado, e que se tornavam um entrave ao fluxo de bens de consumo. Além disto, para que a fábrica trabalhando em regime de linha de produção pudesse funcionar bem, necessitava de grandes estoques de componentes que participariam da elaboração do produto final. Se lembrarmos do exemplo do carro, as fábricas precisariam de vidro para os parabrisas, peças de borracha, parafusos e porcas. Tudo isto em quantidade suficiente para manter a produção, uma produção que, ao gerar excedente de produtos, levava ao acúmulo também de componentes e ocupava o espaço das fábricas. A Análise criteriosa destes problemas , ou seja, o repensar destes procedimentos geraram novas abordagens e o primeiro exemplo a alteração do chamado Fordismo americano para o Toyotismo japonês. E qual é a diferença? Primeiro: ao contrário do Fordismo, no Toyotismo a empresa não produz todas as peças necessárias ao seu produto final, mas transfere a terceiros as diversas partes desta corrente de elementos necessários a fabricação de seu produto. Um fornecedor fica responsável pelos parafusos e porcas, outro pelas peças de borracha, poutros pelo vidro e assim por diante, num processo de pulverização de funções que em primeiro lugar fez desaparecer os enormes estoques que toda a fábrica tinha que ter pata manter a linha de produção. A fábrica deixou de ser o lugar de fabricação do produto para ser o seu local de montagem. As peças são fabricadas de acordo com a demanda da produção, de forma que, como os estoques de cada fornecedor são infinitamente menores do que o de uma grande fábrica imprimiu-se racionalidade ao sistema produtivo.

Não se iludam, o que mudou não foi a tecnologia mas a Filosofia Industrial. A tecnologia, em seguida, adaptou-se a esta mudança filosófica de administrar. Outro exemplo é a Ecologia. A noção filosófica de Qualidade de Vida não surgiu de forma “dada”.

Na verdade, ele surge de uma série de elaborações filosóficas em textos os mais variados, entre eles um texto de Professor David Alan Crocker, Senior Research Scholar, Institute for Philosophy and Public Policy , em 1993, acerca de qualidade de vida e desenvolvimento . No texto em questão ele pergunta “quais as coisas que nos cercam que são de tamanha relevância que, se elas não existissem, não poderíamos considerar um indivíduo como pessoa”.

                                                              David Alan Crocker

Esta pergunta ecoa até hoje. O que nos faz pessoas? São os bens que possuímos nossas casas, nossas roupas, nossos títulos universitários? Ou é a nossa condição humana valorizada, tanto material como psicologicamente, onde podemos não ter tudo que queremos, mas sentimos que somos tratados com a decência que todos merecemos?

Todos dão a mesma resposta. E isto mudou a maneira de ver o mundo. Não começou aí mas com certeza continuou através deste e de muitos outros textos. Aos poucos foi se criando um consenso, através de multiplicadores, como jornais e revistas, televisões em todo o planeta, de que era possível viver melhor e que isto, viver melhor, não se resumia a aspectos eminentemente materiais, mas também a eles.

Junto houve o despertar da consciência ecológica. Em 1866, um cientista alemão chamado Ernst Heinrich Philipp August Haeckel utilizou pela primeira vez a palavra ecologia. Ele era médico e um artista versado em ilustração que se tornaria professor em anatomia comparada, mas só com o advento do Green Peace, organização criada em 1971 no Canadá por imigrantes americanos, Robert Hunter e Patrick Moore, a palavra ganharia o imaginário popular. Entre Haeckel e Hunter passaram-se 105 anos, e a idéia conceito de estudo do meio ambiente passou a ser uma causa política de defesa deste mesmo meio ambiente com a instauração da noção de risco ambiental.


Os co-fundadores do Green Peace, Bob Hunter, à esquerda, e Dr. Patrick Moore

O tema deste ensaio é a importância da filosofia da vida cotidiana e alguns podem argumentar que neste último trecho não se trata de um exemplo desta natureza. Não é bem assim. A história das idéias e da mudança dos conceitos ao longo da história é também a história da Filosofia. Se, no entanto, preferirem uma relação mais clara entre o pensamento e a ação, sugiro dois temas: por exemplo, a popularização do pensamento cartesiano, de Renée Descartes, e do pensamento de Emanuel Kant.

Renée Descartes (La Haye en Touraine, 31 de março de 1596 — Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) foi um filósofo, físico e matemático francês. É considerado o pai da filosofia moderna porque cria a noçãode que é através do pensamento e da razão que se pode perceber o mundo com clareza. Sua frase mais famosa, “Penso, logo existo”.

                                                              Renée Descartes

Configura a essência de um movimento que revolucionaria o mundo a partir do século 16: o racionalismo. É o racionalismo que fundamenta a mudança gradual de um mundo mergulhado em superstições em um mundo ansioso por idéias “claras e distintas”, oriundas do trabalha intelectual. Desde seus textos, toda a Europa se transformou, passo a passo, até que um movimento social em que o racionalismo foi usado como a base para uma das mais importantes mudanças políticas da história da humanidade derrubou a estrutura da nobreza mais luminosa da Europa, o Rei de França, naquela que se tornou a inspiração para movimentos em todo o mundo de republicanização das relações sociais: a revolução francesa. Ressalte-se, para se fazer justiça, a importância do pensamento de Jean Jacques Rousseau, outro importante filósofo francês nos acontecimentos de 5 de maio de 1789 até 9 de novembro de 1799. É de Rousseau a idéia de Liberdade, Igualdade e fraternidade, que se torna o lema dos insurgentes franceses, e depois do movimento maçônico francês. É verdade que “A reavaliação das bases jurídicas do Antigo Regime foi montada à luz do pensamento Iluminista, representado por Voltaire, Diderot, Montesquieu, John Locke, Immanuel Kant etc. Eles forneceram pensamentos para criticar as estruturas políticas e sociais absolutistas e sugeriram a idéia de uma maneira de conduzir liberal burguesa”. Só que não haveria pensamento racional e nem Ceticismo Inglês, como é o caso de Locke, sem o trabalho de Descartes. E embora Rousseau, ao contrário de Descartes, privilegie a emoção e não a razão, é na combinação de ambos que o movimento francês se fundamenta para revolucionar a sociedade. Sem a paixão rousseauniana e a crítica analítica cartesiana, a França não faria a Revolução. Ele é o organizador do pensamento humano com quatro pequenas regras:


  • Verificar se existem evidências reais e indubitáveis acerca do fenômeno ou coisa estudada;
  • Analisar, ou seja, dividir ao máximo as coisas, em suas unidades mais simples e estudar essas coisas mais simples;
  • Sintetizar, ou seja, agrupar novamente as unidades estudadas em um todo verdadeiro;
  • Enumerar todas as conclusões e princípios utilizados, a fim de manter a ordem do pensamento.

Também devemos considerar o trabalho de Immanuel Kant ou Emanuel Kant (Königsberg, 22 de abril de 1724 — Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) foi um filósofo prussiano). “Em 1784, no seu ensaio "Uma resposta à questão: o que é o Iluminismo?", Kant visava vários grupos que tinham levado o racionalismo longe de mais: os metafísicos que pretendiam tudo compreender acerca de Deus e da imortalidade; os cientistas que presumiam nos seus resultados a mais profunda e exacta descrição da natureza; os cépticos que diziam que a crença em Deus, na liberdade, e na imortalidade, eram irracionais.

                                                                Immanuel Kant

Kant mantinha-se no entanto optimista, começando por ver na Revolução Francesa uma tentativa de instaurar o domínio da razão e da liberdade. Toda a Europa do Iluminismo contemplava então fascinada os acontecimentos revolucionários em França.” Mas sem dúvida é pela existência de um precedente filosófico com a obra de Renée Descarte que podemos falar em pensamento racional. Assim, um filósofo estabelece as bases para seu sucessor.

Kant leva essa racionalidade e o estudo da própria razão ao seu nível mais elevado, dissecando-lhe as entranhas em um belíssimo trabalho chamado Crítica da Razão Pura, em 1781.

                                                          Frontispício da “Crítica”

Ali ele demonstra que, filosoficamente, é improvável que conseguíssemos perceber as coisas como são se não houvesse um mecanismo intrínseco que se responsabilizasse pela organização destas percepções em conceitos utilizáveis pela inteligência e que este organizador é inato no homem, o que seria comprovado pela neurologia moderna com a frase “não são os olhos ou os ouvidos que enxergam ou ouvem, mas o cérebro”.  Ele criou uma noção e um conceito que além de fundamentar a neurologia moderna, criou também as bases para o que hoje conhecemos pelo nome de informática: a estrutura interna do computador.

                                                             John von Neumann

Pois a própria idéia de um Unidade Central de Processamento (o CPU, em inglês), lhe deve ser tributada. A idéia surgiu por intermédio de um cientista chamado John von Neumann, nascido Margittai Neumann János Lajos (Budapeste, 28 de dezembro de 1903 — Washington, D.C., 8 de fevereiro de 1957) um matemático húngaro de etnia judaica, naturalizado estadunidense. A maioria dos computadores tem uma arquitetura von Neumann. Mas a idéia de um processador central ( a mente) que processasse os programas dentro da própria máquina é kantiana. Até Kant, achava-se que as idéias ou eram captadas prontas. Ele demonstra que não se trata disso, descrevendo que tudo acontece separadamente: Sensação é o estímulo organizado, percepção é a sensação organizada, concepção é a percepção organizada, ciência é o conhecimento organizado, sabedoria é a vida organizada. O computador moderno tem captadores de informações como o cérebro humano tem seus olhos, ouvidos, nariz e dedos. No caso do computador falaremos de teclados, leitores de antigos disquetes, os discos de CD ROM, ou os modernos pen-drive, pelos quais é alimentado. Mas para que esta informação seja decodificada da linguagem binária e transformada em imagens precisamos do trabalho fundamental do CPU, aonde outros programas pré instalados “lerão” as informações e as transformarão em dados organizados para as nossa contemplação, sejam letras ou imagens. É ele que, graças aos programas pré instalados faz a tradução dos impulsos lidos pelos captadores da estrutura do computador pessoal. Da mesma forma que, para Kant, nas palavras de Will Durant “...a mente do homem,( e aqui está a grande tese de Kant) não é uma cera passiva sobre a qual a experiência e as sensações escrevem sua vontade absoluta e caprichosa; nem é um mero nome abstrato para a série ou grupo de estados mentais ; ela é um órgão ativo que molda e coordena as sensações em idéias, um órgão que transforma a multiplicidade caótica da experiência na unidade ordenada do pensamento” o computador também não recebe de forma passiva as informações com as quais o alimentamos mas as organizada maneira a que possam servir ao usuário. Entre a publicação da “Crítica”(1781) e Neumann publicar o "primeiro esboço de um relatório sobre o EDVAC" onde propunha a idéia do CPU (30 de junho de 1945), passaram-se 136 anos.

Esta conexão entre informática e Immanuel Kant, ainda pouco explorada, serve como encerramento a este breve comentário sobre a importância das idéias e dos filósofos sobre a vida do homem comum. O certo é que, embora não saibamos, nossos lábios apenas repetem suas idéias, de um ou de outro, sem lhes atribuir o crédito. O que falamos e as idéias que defendemos só são possíveis porque, dezenas ou centenas ou milhares de anos atrás alguns destes homens criaram conceitos que são a base de nosso modo de vida e da nossa compreensão do mundo. Ergamos uma taça de vinho em homenagem a eles. E jamais nos esqueçamos de sua importância.

Autor: Mário Sergio Sales
http://imaginariodomario.blogspot.com/


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